Números vergonhosos
Carlos Leonardo Holanda Silva
Procurador do Trabalho

1º de Maio de 2009

Há exatos 40 anos, uma explosão na mina de Farmington (Virgínia Ocidental, nos EUA) provocou a morte de 78 trabalhadores. Desde então, entidades engajadas na defesa de um meio ambiente de trabalho saudável recordam o episódio como meio de despertar empresários e administradores públicos para a necessidade de prevenir acidentes e doenças ocupacionais, atacando com veemência suas múltiplas causas.

As estatísticas mais recentes disponibilizadas pelo Ministério da Previdência Social-MPS (referentes a 2007) dão a dimensão da gravidade do problema. Em 2006, o País registrou 512.232 acidentes de trabalho. Em 2007, esse número saltou para 653.090, um crescimento de 27,4% em apenas um ano. No Ceará, o número de acidentes de trabalho passou de 5.965, em 2006, para 8.241 em 2007 (cresceu 38,1%).

De acordo com a Lei 8.213/91, as principais espécies são o acidente de trabalho típico (que ocorre pelo exercício do trabalho), as moléstias profissionais (doenças profissionais e as relacionadas ao trabalho) e os acidentes de trajeto (ocorridos no percurso casa-trabalho ou trabalho-casa), provocando lesão corporal ou perturbação funcional, de caráter temporário ou permanente.

É imperioso lembrar que o acidente de trabalho pode resultar desde um simples afastamento, a perda ou a redução da capacidade para o trabalho e até a morte do trabalhador. Em 2006, o Brasil registrou 2.717 óbitos decorrentes de acidentes de trabalho, isso significou uma morte a cada três horas. Os números dos anos seguintes, apesar de ainda não divulgados, também são perturbadores.

Faz-se necessário e urgente, portanto, envolver empresários, trabalhadores, entidades sindicais, imprensa e a sociedade em geral numa campanha permanente de atenção à saúde e à segurança do trabalhador, sob pena de assistirmos ao agravamento de um quadro que já é por demais vergonhoso para o nosso País.


Procuradoria Regional do Trabalho da 7ª Região - Ceará
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