29 de janeiro de 2014

Trabalho escravo: 103 trabalhadores resgatados no Ceará em 2013

Dormir ao relento, em alojamentos sem qualquer tipo de higiene, trabalhar em uma jornada estafante, beber da mesma água que os animais, ter uma comida de péssima qualidade, entre outras violações da dignidade humana. Esta não é uma realidade do século XIX, mas do que os inspetores encontraram durante o ano de 2013 nas inspeções do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, formado por entidades como o Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego e Polícia Rodoviária Federal. Chegou-se a constatar trabalhadores cujo alojamento era um pé de um cajueiro. Tudo isso, sem que lhes tivessem sido fornecido nenhum Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e sequer tivessem suas Carteiras de Trabalho (CTPS) assinadas.

Depois de três anos sem fazer resgate de trabalhadores, o Grupo Móvel retirou 103 trabalhadores de condições degradantes de trabalho em apenas duas inspeções pelo interior do Ceará. Os números foram apresentados em evento realizado na sede da Superintendência Regional do Trabalho no Ceará (SRTE), nesta terça-feira (28/1), data em que é lembrado o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. De 2006 a 2013, no total, 422 trabalhadores foram resgatados da escravidão em municípios cearenses.

Seja no campo, ou na cidade, o trabalho escravo, infelizmente, é triste realidade no país. Números do Ministério do Trabalho e Emprego registram que, de 1995 a 2013, 45 mil trabalhadores foram resgatados em 3,6 mil estabelecimentos inspecionados. Estima-se que no Brasil, segundo dados do MTE, 25 a 100 mil pessoas trabalham em condições análogas à escravidão.  O número de trabalhadores resgatados nesta situação aumentou 10,39% de 2011 para 2012. Os Estados do Pará, Tocantins, Paraná, São Paulo e Minas Gerais lideravam o ranking de trabalhadores resgatados em 2012. Em 2013, foram resgatados 1.359 trabalhadores em todo o país, em 204 estabelecimentos inspecionados.

“É importante que a discussão do fenômeno do trabalho escravo contemporâneo supere as fronteiras dos atores sociais que hoje já travam este debate, aproximando a sociedade civil e os poderes constituídos de que de fato existe trabalho escravo no Ceará e que este ilícito pode ainda está a afligir muitos outros trabalhadores”, comentou o procurador do trabalho e membro do Grupo Móvel, Leonardo Holanda.

“O que encontramos no ano passado foram situações isoladas ou somente a ponta de um iceberg?”, questionou o procurador do trabalho.

Outras informações: Assessoria de Comunicação Social da PRT-7ª Região
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